Fonte: Revista Manuelzão, nº50, ano 12, março 2009
Sâmia Bechelane
Estudante de Comunicação Social da UFMG
Um mês inteiro de atividades promete tirar a bacia do Velhas da rotina. O projeto Manuelzão realiza, de 8 de maio a 6 de junho, a Expedição Rio das Velhas 2009. A proposta é ainda mais ousada que as outras desse tipo já desenvolvidas pelo Projeto, como a Expedição 2003 e os Festivelhas 2005 e 2007. Às vesperas de 2010 - ano em que o Projeto estabeleceu como referência para se navegar, pescar e nadar no Rio das Velhas -, a idéia agora é unir a navegação pelo rio às manifestações artísticos-culturais da região.
COMO? "Se na Expedição de 2003 o foco era o Rio, na de 2009 o foco será a bacia", explica o coordenador-geral do Projeto Manuelzão, Marcus Vinícius Polignano. Em 2003, três canoístas desceram os 801 quilômetros entre a nascente e a foz do Velhas. O objetivo era chamar a atenção para os graves problemas enfrentados. Agora, aventura é outra. Se de para cá houve avanços na revitalização da bacia do Velhas, os desafios ainda são numerosos.
Como colocar tudo isso em um mesmo balaio? Junto às tradicionais atividades de pesquisa, educação ambiental, mobilização e a descida do rio, que caracterizaram o movimento em 2003, a Expedição 2009 contará com encontros culturais nos fins de semana. Ouro Preto, Santa Luzia, Curvelo, Pirapora e Belo Horizonte sediarão manifestações artístico-culturais, debates e palestras.
Paralelamente, serão realizadas também as chamadas "mini-expedições", que irão de um ponto a outro da bacia por iniciativa de pessoas das comunidades locais. A criatividade é o limite: pode ser desde um grupo de ciclistas que queiram chamar a atenção para problemas na Estrada Real quanto uma caminhada em prol da preservação do congado. O intuito é "captar uma certa mensagem daquela região, como ela vê a bacia e como contribui para a revitalização do Rio", esclarece Polignano.
PARA QUÊ?
Pouco ou de nada adianta se movimentos como esse não contarem com um pilar fundamental: o envolvimento dos próprios atores locais. Como lembra o coordenador da Coordenadoria de Comunicação, Cultura e Meio Ambiente da Pró-Reitoria de Extensão da UFMG, Márcio Simeone, "eles só fazem sentido dentro de um projeto mobilizador se forem pra envolver uma série de atores que, de outra forma, não estariam envolvidos".
A gerente do Parque das Águas de Belo Horizonte, Isabel Cupertino, conta que no Festivelhas Jequitibá, em 2007, foi marcante o encontro entre pessoas de vários segmentos. "Todos estavam ali com o mesmo fim: trabalhar a questão da bacia hidrográfica, da preservação", diz. Para ela, movimentos como esse são, além de tudo, uma forma lúdica de discutir a questão ambiental. Isabel garante que a experiência vivida em 2007 ainda serve de molde a várias das ações de educação ambiental que ela desenvolve hoje no Parque.
Mais que conseguir visibilidade, a Expedição pode ser uma forte estratégia para reforçar argumentos e reposicionar a causa de revitalização da bacia do Rio das Velhas. Como coloca Márcio Simenone, também autor do livro Comunicação e Estratégias de Mobilização Social, movimentos como esse podem estimular a coesão em torno de projetos mobilizadores como o Manuelzão.
O presidente do SubComitê de Bacia Hidrográfica do Rio Paraúna, afluente do Velhas, Alex Mendes, acredita que após a passagem desses movimentos, deve haver um retorno das ações à comunidade. Alex já organizou em 2007, uma expedição pelo Paraúna para levantamento técnico das condições da sub-bacia e planeja realizar outra, até o fim do ano, para dar a população local o retorno dos dados coletados.
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